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  • Kelly Robis

Saúde Mental e COVID-19

Entrevista concedida para o jornal Edição do Brasil http://edicaodobrasil.com.br/2021/01/08/cuidar-da-saude-e-principal-prioridade-brasileiro-em-2021/


Após a finalização de um ano marcado por uma doença desconhecida, a COVID-19, e sobre tudo a seu respeito, 2021 começou com prioridades também ligadas à saúde. Pesquisa divulgada pela Consumer Survey, ferramenta do Google, mostrou que 35% dos entrevistados determinaram que cuidar da saúde é a principal meta neste novo ano. A plataforma ouviu 1.000 brasileiros, com idades entre 18 e 64 anos, em outubro de 2020.

De acordo com o levantamento, também aparecem como meta para os próximos 12 meses: emagrecer ou fazer exercícios físicos, com 26%. O que soa como um reflexo das cicatrizes deixadas pela pandemia, afinal, atividades na academia ou ao ar livre foram restringidas no ápice da primeira onda da COVID-19. Coincidência? Para a psiquiatra Kelly Pereira Robis nem um pouco.

“A ideia de nos cuidarmos melhor faz parte de um contexto de saúde pública, uma vez que a nossa rotina foi desfeita em função de uma doença. De alguma forma, o mundo todo parou para refletir sobre essa pauta durante a maior parte do tempo. A sociedade sofre mudanças de acordo com assuntos que são concernentes à realidade da nossa rotina. Ou seja, se a pandemia não tivesse modificado o nosso cotidiano como modificou, levando a uma ruptura da nossa realidade, provavelmente, do ponto de vista antropológico, a relevância do assunto saúde não seria tão intensa”, explica Kelly, que também é professora no curso de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e na PUC Minas.

Já na visão do presidente eleito da Associação Médica Brasileira (AMB), César Fernandes, a meta corresponde ao perfil do brasileiro. “Historicamente, temos elevada preocupação com a assistência em saúde. Se recuperarmos pesquisas pré- -eleitorais de diversas épocas, constataremos ser prioridade recorrente de décadas. Sendo assim, é compreensível, em especial considerando a dívida social que temos em nosso país. A pandemia da COVID-19 veio a agravar as insuficiências do sistema, sendo que a severidade da crise amplificou a questão. É claro que mudanças comportamentais são, sim, outro aspecto relevante. Porém, a origem do desafio se encontra na ausência de qualificação e de respostas concretas por parte de boa parcela de autoridades gestoras”, afirma

A receita do médico para quem deseja um 2021 mais saudável não tem segredo. “Todos os bons hábitos levam a essa direção. Praticar atividades físicas, uma alimentação balanceada com folhas, legumes e ingerir mais carnes brancas do que vermelhas. Tomar bastante água, dormir bem, ler, ter relacionamentos sociais positivos, além de não fumar, não abusar de álcool e dizer não às drogas. O corpo humano é uma máquina que funciona perfeitamente, se não o boicotarmos. Assim, a boa saúde está ligada diretamente à consciência e atitudes”, garante

Novo ano, mesmas metas

Outro dado que chama a atenção é que 19% dos brasileiros adiaram para 2021 os mesmos planos que tinham para 2020. Kelly, entretanto, explica que, apesar de ser positivo, para traçar objetivos a serem alcançados em um novo ano, é preciso planejá-los com realismo. “Criar expectativas de que 2021 será um ano diferente é algo assertivo. Porém, é necessário criar expectativa de forma realística e não mágica. Entender que um novo ano é uma nova oportunidade de rever metas e sonhos é bom. No entanto, acreditar que retornar à normalidade é voltar tudo como era em 2019 e que tudo será possível já é uma perspectiva que não parece condizer com a realidade em si”, diz.

“Compreender nossos objetivos numa perspectiva anual nos ajuda a entender que tudo bem não termos conseguido e rever a oportunidade do que pode ser feito. Contudo, a ideia de mudança de ano, de 2020 para 2021, pode dar uma sensação equivocada de que a pandemia acabou, que não tem mais coronavírus e que tudo magicamente vai dar certo. Nessa perspectiva, corremos o risco de não revermos nossas estratégias e objetivos e simplesmente adiar as mesmas metas do ano passado para este”.

A psiquiatra acrescenta ainda que se fizermos isso, podemos não nos adaptarmos novamente. “Será que ao invés de renovar as mesmas metas, eu não deveria ter um plano alternativo em 2021? A pandemia e a natureza não entendem o conceito de ‘virada de ano’, portanto não é possível considerar que um paradigma, que é nosso, vá trazer uma mudança na realidade dos fatos. Mas, nós podemos mudar os fatos que estão sob nosso controle se mudarmos nossas estratégias”, finaliza.


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